sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Pais que não ajudam precisam aprender a ajudar


  Eu fico um pouco sem chão quando alguma amiga me conta que na gravidez o marido não ajudou em nada e ainda depois do nascimento continua não ajudando. Me da uma vontade de pegar uma panela e bater na cabeça deles até entenderem que mulher não faz filho sozinho e tão pouco tem a obrigação de cuidar sozinha da criança. Mas essa semana ouvi tanta coisa horrível que corri no quarto e agradeci por toda a ajuda e apoio que o Pedro me da. O que ele sabe que não é mais do que a obrigação dele, já que o filho também é dele e quando eu agradeço ele faz questão de me lembrar isso constantemente. Não quero me gabar, afinal, ele está exercendo seu papel dentro da família, nos unindo e apoiando.
 
  Sempre quando alguma mulher me conta do trabalho que da convencer o marido a ajudar em pequenas coisas como a decoração do quarto, ou ler sobre o período gestacional, sobre como cuidar de uma criança e tudo mais, me vem a cabeça aquele filme antigo com o Hugh Grant e a Julianne Moore "Nove Meses". Assisti tanto esse filme na sessão da tarde que já sei até imitar o sotaque russo do Robin WIllians rs. No filme a Rebecca fica gravida mesmo tomando anticoncepcional, o que tem muitas chances de acontecer já que não é 100% seguro, quando conta ao Sam o mundo dele desaba e ele começa a duvidar se ela não fez de propósito e a questionar se seria um bom pai. "Ah, mas todo pai questiona se será um bom pai", esse não, o Sam simplesmente não quer ter uma vida pacata, não quer vender seu carro esporte, ou ter brinquedos dentro de casa, ser chamado de velho e etc. Então ele se recusa a apoiar a gravidez da Rebecca e faz questão de demonstrar que não quer ser pai e que acha que ela engravidou sozinha. No final fica tudo bem, o Marty ensina ele a ser um bom pai e aceitar a gravidez. Sim, ele ACEITA a gravidez da Rebecca.

  Sabe o que é pior, é que milhares de homens pensam assim, que engravidou a culpa é da mulher, que o filho é só dela e que eles não tem obrigação nenhuma com a criança. Muitos até fazem questão de sumir ao descobrir para deixar mais explicito o quanto são machistas. Deixando a mãe com todo o peso nas costas de ter que fazer tudo sozinha e ainda ser mal vista.

  Mas deixando esses de lado quero falar dos que ficam, aqueles que acham que já fizeram muito ao ficar.

  Em primeiro lugar vou falar dos que antes mesmo de ter um filho já resolvem mandar na mulher recusando o parto natural por medo dela ficar larga. Sim, isso ainda acontece. Ou por achar que é coisa de bicho do mato ter um bebe por parto normal e toda essa frescura que a sociedade inventa para se manter cega.
  Esses são engraçados, eles sem acham que sabem o que é melhor para a mulher sem ser uma, acham que tem algum direito em se impor no trabalho de parto dela. Alou, acorda, é uma escolha da mulher a maneira que ela vai parir, afinal quem vai parir é ela. A sua função nesse momento é auxilia-la para que tudo saia da melhor maneira possível e ajuda-la a não desistir dessa decisão. Nada de "Ah, mas minha mãe fez assim ou assado" ou "Você não acha que vai doer muito e é desnecessário?" só a apoie muito e diga constantemente que está ao seu lado. E não seja um preguiçoso, vai ler sobre parto normal e como funciona uma gestação, não é só a sua companheira que precisa saber.
  Tem aqueles que fingem que apoiam, aqueles que falam sempre "Como você quiser", mas se você tocar muito no assunto já fecham a cara e te tratam mal. Aqueles que não querem saber se seu bebe chutou hoje, ou se você teve muita azia, mas tira foto com a roupinha de time que comprou. Esses muitas vezes, usam a desculpa do trabalho, de que estão cansados de mais e que ela que tem que cuidar disso, o bebe não está sendo carregado por ele. Esses até recebem recados carinhosos da esposa, como "você será um ótimo pai", dão uma de os super pais quando todo mundo está olhando e logo depois viram uns idiotas novamente. É capaz de não saberem nem para que serve a placente, desculpa, esqueci que ela está dentro da mãe, eles não querem saber mesmo.
  Quando o bebe nasce torna mais perigoso conviver com um desses. Ele tira foto com a criança e coloca na capa do facebook, mas dentro de casa não lava um copo para ajudar a esposa. "É sua obrigação" pensa o retardado. Esse eu conheço muito bem, tenho vontade de dar um soco toda vez que topo com um. É a pior espécie, é o pior tipo de pai. Aquele que simplesmente não sabe o que é amar um filho, não sabe da necessidade de ajudar com a criança e o pior, sonha que é obrigação só da mãe cuidar do bebe.
  Alguns meses, conversando com uma amiga que tem um filho pequeno, ela estava me contando que não deu conta de trabalhar e cuidar do filho ao mesmo tempo então largou o emprego. E mesmo assim não estava dando conta de cuidar da criança, já que esse está na fase de aprender engatinhar e não sai de perto dela e não a quer longe dele. Eu perguntei o que ela tinha que fazer na casa que dificultava tanto e ela respondeu que tudo. O marido sai para trabalhar 7h, esse horário ela prepara o café para ele, durante o dia ela tem que limpar pelo menos um pouco a casa, se não ele reclama que a casa está bagunçada. Depois fazer almoço, lavar as coisas, dar banho no bebe, porque o marido se recusa a dar banho na criança, da muito trabalho e ele está cansado. Faz a janta e ainda lava a louça e tudo isso enquanto o bebe está grudado nela, pois o pai está cansado de mais para cuidar dele.
  E é assim dia após dias, quando a mãe dela consegue ajuda a olhar a criança, a sogra a xinga de preguiçosa, exploradora, que não fica bonita para o filho. Ninguém ajuda, todos criticam e ela está cansada e mesmo assim tem que sorrir, afinal é mãe, mães tem que estar sempre sorrindo.
  Esses mesmos sempre tem uma família assim né, que critica constantemente a esposa, julgam tudo que ela faz, nada está certo nunca, nada está bom. É tudo culpa dela.
 
  Minha mãe, um dia conversando comigo, relatou o mesmo tipo de comportamento vindo do meu pai. Eu não sabia e fiquei um pouco chocada, mas era de se esperar né. Conversando com ela eu contei que a Lisa adora fazer festa se o Pedro fala com ela, quando ele passa óleo na minha barriga então. Minha mãe olhou um pouco desconfiada, afinal nunca teve isso e me contou que meu pai nunca ajudou muito quando eu era bebe. Acho que não ajudou muito é amenizar, ele não deve ter ajudado em nada. E é claro que quem sempre foi julgada foi ela, quem fez tudo errado, quem não fez isso ou aquilo, sempre é a mulher.

   Depois de muito refletir fiquei pensando, como alguém pode pensar assim, como o homem não pode ter noção do que é um trabalho de parto, ou de que enjoos não são frescura para chamar atenção. Que se ela diz que tem dor é porque tem e você acredita sim, se ela está cansada você ajuda a limpar a casa, lava, guarda, cuida, ajuda, isso é uma família, não tudo nas costas da mulher. Se ela escolheu amamentar por muito tempo brigue se alguém questionar essa decisão. Se ela quer um parto normal, ajude lendo maneiras de amenizar a dor. Se ela quer fazer cama compartilhada fique feliz e se esprema para poder participar desse momento. Carregue a bolsa do bebe, ela normalmente está pesada, elogie sempre, ela sempre está linda. Apoie, leia, desculta, compartilhe, com ela e com seus amigos, assim esses vão poder pensar como você. Não seja comodo como foi seu pai, ou o pai do seu pai. Não deixe de aprender tudo que você puder de como cuidar do seu filho da melhor maneira possível. Não perca a oportunidade de dar banho nele, ou de nina-lo, o pai é o primeiro contato com outra pessoa que o bebe vai ter, é com ele que vai aprender a dividir a mamãe, vai descobrir que existem outras pessoas no mundo, outras vozes e vai ser mais fácil não ter medo. Então não deixe passar.
  E você mamãe, sei que é difícil, mas tente ensina-lo como te auxiliar nos cuidados do bebe. Assim ele não será um daqueles que tem nojo de trocar a fralda.













Nenhum comentário:

Postar um comentário