terça-feira, 29 de março de 2016

Por mais respeito na maternidade



 Quando descobri a gravidez não sei nem explicar a mistura de sentimento que eu senti, mas me lembro claramente que o pior deles era o medo de ser julgada, nossa e como fui. Não sei porque, estava vivendo em um mundo socialmente estável para a situação atual. Mas fui, pelos familiares, pelos amigos, por médicos. Só lembro de muitas vezes pensar "O que eu realmente estou fazendo de errado?", afinal não era nenhuma adolescente, já tinha minhas conquistas e uma idade considerável, mas mesmo assim, parecia que eu tinha 15 anos, parecia que estava cometendo um crime, a distância e a frieza de alguns me magoou tanto que eu resolvi respirar fundo e seguir. E no meio disso tudo vieram os enjoos e a desidratação, sabia que piorava conforme ficava mais triste e sabia que isso não fazia bem para o bebê.
  É difícil explicar o que é a maternidade, o que é entender tudo isso, ao mesmo tempo que você não entende nada e se pergunta "Se eu estou errada por que me deram as merdas das bonecas minha vida inteira?", "Por que me falaram tantas e tantas vezes que eu tinha que ser mãe?", agora eu sou e as pessoas me perguntam "Você tem certeza?", "Será que você tá pronta?", "Criança da trabalho viu". Eu sei, trabalho com crianças, sei o quanto essas dão trabalho, sei como se desenvolvem, estudei sobre elas durante muitos anos e agora estou prestes a testar essa experiência, mas não, não estou fazendo certo, ainda estou errada. 
  Depois de meses eu finalmente aceitei a gravidez. Sim, eu demorei para aceitar, não porque não queria, mas porque estava com tanto medo do quanto me enchiam o saco com julgamentos e opiniões idiotas, que só queria dormir e esquecer. Nessas horas o apoio do Pedro foi fundamental, eu não falava sobre o que estava sentindo, mas ele sabia e me permitia sentir sem tentar reverter. E aos poucos eu entendi que não estava errada, as outras pessoas que estavam, foi quando essas pessoas perceberam que eu não ligava mais, então começaram a "apoiar". 
  A individualidade e a falta de jeito de expressar sentimentos fez parte desde sempre da minha família. Nela o mais importante tem que ser você, esse foi o ensinamento que tivemos, que primeiro se pensa em você depois nos seus filhos. Foi devido a essa criação que eu resolvi nunca ser individualista quanto a minha filha. Comecei então a fazer de tudo para que ela viesse ao mundo da forma que ela decidir, tudo agora seria dela, pra ela, por ela. Eu passei a ficar em segundo plano, o que eu queria passou a ser o que ela queria e o que ela queria eu e o Pedro queríamos com todas as forças do mundo e íamos conseguir. Mas quando você passa a se importar menos com você e mais com alguém que ainda nem nasceu a individualidade das pessoas fala mais alto. 
  Agora começa, se você já era errada por ser mulher, por querer ser mãe, por isso e aquilo, agora por escolher o melhor para sua filha você é ainda mais. Sim, você está errada por estudar tanto, por trocar de médico até achar um que te faça sentir segura, por ter uma doula, por ter um modelo de parto, por fugir do padrão, por não aceitar as regras, por questionar procedimentos, por não acreditar em pessoas, porque né, você é mulher e não sabe nada. 
  Hoje ainda magoa todos os comentários chatos que recebemos, mas aprendi a ignora-los, aprendi a ignorar as pessoas, afinal quem quer estar perto já está, quem não quer não preciso me preocupar. 

Por um mundo menos individualista e com mais compreensão pelas as mães, independente do status de relacionamento, status ou profissão. Todas as mulheres merecem respeito e as mães mais ainda.