quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Desafio da maternidade


 Essa semana está rolando no facebook o desafio da maternidade, onde algumas mamães postam fotos e dão depoimentos das melhores coisas em se estar grávida e ter um filho. Contrariando tudo que a sociedade manda, algumas mamães mandaram a real e não fantasiaram a gravidez. Disseram que amam seus filhos, mas não gostam de ser mãe ou da maternidade por Ns motivos. 
  Que a maternidade é compulsória isso todas nós sabemos, desde antes de começar a falar meninas já tem bonecas, já ninam nenéns e já são classificadas como "mamães de bonecas". O problema não é incentivar a maternidade, o problema é ela ser forçada a acreditar que nasceu para ser mãe, quando seu irmão não é forçado a ser um pai. O problema é que todo mundo conta para ela que estar grávida é lindo, natural, puro, a melhor coisa da vida e que ser mãe é um sonho, uma realização sem tamanho e que um abraço do filho compensa todos os problemas da vida. Não compensa. 
  Ter filhos não compensa a frustração de deixar de ser você mesma, de ter uma pessoa dependente de você, que você deve demonstrar amor o tempo todo e tudo que você faz sempre, sempre estará errado. 
  Eu só penso assim, quantas mamães não teriam sido privadas do sofrimento de ter que enfrentar o mundo sozinha se o aborto não fosse liberado? Mas não, vamos obrigar mulheres serem mães e convence-las de que nasceram para isso. 
  Maternidade não é instinto, não é profissão, não é função. Maternidade é solitária, dolorida, cheia de julgamentos e questões. É quando você vê quem realmente está ao seu lado, quem é individualista, quem é o pai do seu filho e se ele entende sua obrigação. Maternidade não é bonita, não é gostosa, não é saudável. Você chora sozinha por não conseguir dormir, por não conseguir respirar direito, por não saber do futuro. Ao mesmo tempo que não aguenta mais esperar para ver o seu bebe. Você sofre de ansiedade, tem sonhos que sufocam, pesadelos, é privada de comer coisas, é privada de fazer coisas, é privada de falar coisas. Se você fala o tempo todo é uma chata que só pensa nisso, se vc não fala não está feliz com o filho, está com depressão. Se não sabe a cor do coco do seu filho, pode esquecer, vc será presa por ser uma péssima mãe. 
  E se você resolve ir viajar e deixar seus filhos com alguém? E se você resolve estudar? E se resolve trabalhar? E se não resolve fazer nada disso? Tudo é critica, tudo é sua culpa, tudo é você. 
 Amar seu filho não precisa ser estar feliz com a forma que a sociedade trata a mulher e impõe a ela a maternidade. Amar seu filho não significa não sair com as amigas ou não ir viajar, ou deixar de fazer planos. Amar seu filho não significa que não possa pedir ajuda, entrar em desespero e não saber o que fazer. Amar ser filho é bem mais do que mandam e nunca será o suficiente para aqueles que acham que ser mãe é viver pelos filhos. Você pode encontrar a felicidade sim nos seus filhos e principalmente em você mesma. 

  Então não diga que a gravidez é linda, pois não é, é horrível, é exaustiva e solitária, é principalmente uma mistura de ansiedade e terror. Não diga para uma mulher que ela nasceu para ser mãe, ela não nasceu, ela vai errar muito e aprender muito, mas vai amar seu filho independente do que todos dizem. 

  Não torne a maternidade compulsória, nem toda mulher nasceu para ser mãe e quer ter filhos, algumas simplesmente acontece, fora do planejado, mas mãe não tem a opção de abandonar seus filhos, já que 90% dos homens não estão preparados para ser pais.